domingo, 27 de fevereiro de 2011

Nascimento




 Em uma manhã de domingo Abelardo Seboso chegou ao mercado de Vila da Posse trazendo consigo aquele gordíssimo peru para vender. Apeou do cavalo junto ao tanque dágua, onde os animais abatiam a sede após horas de trajeto mata a fora. Tirando os arreios do animal para que pudesse beber água, não esquecendo claro, de afrouxar a cinta que sustentava a sela afim de que não sufocasse o cavalo apertando-lhe a barriga enquanto matava a sede. Seboso, como era conhecido, que por sinal nada tinha de seboso, e sim uma boa aparência, branco, olhos verdes, cabelos castanhos, um metro e setenta e cinco de altura, um porte físico invejável, gostava de andar sempre bem vestido.
Não podia ser considerado um homem culto, afinal de conta nunca se interessou muito pelos estudos, o que ele depois de torna-se adulto considerava seu maior erro na vida, não ter estudado. Lia e escrevia muito mal, mas era poético ao falar, tinha mansidão e doçura no pronuncio das palavras, sempre encontrava, se não a palavra certa, mas um modo carinhoso de falar com as mulheres, e carismático para fazer amizade, nasceu com o dom da palavra. Um ser cuja presença era sinônimo de alto astral. Ganhou o apelido  desde seu tempo de moleque, quando brincava nos lixões a beira do rio Curió com seus colegas.
Passado o tempo, todos casaram inclusive Abelardo. Porém como não podia ser diferente, continuou a amizade com a turma de amigos, que na adolescência, todos os fins de tardes se encontravam no bar do Zé Careca, mais conhecido como, o bar da fubuia. Não por acaso, mas como era habitual todos os domingos, muitos dos amigos de Abelardo, assim como ele, estavam na cidade, afinal em Vila da Posse, domingo é folga no trabalho cotidiano, mas é dia de pegar pesado na marvada,  quebrar o cachaço do galo, tirar o desconto da semana, como fala os pingaiadas, beber todas e mais um pouco.
 Seboso mal chegou próximo à porta do mercado ouviu um dos seus amigos gritar: Seboso, Seboso... Não vai tomar uma com os amigos? Abelardo sorriu como nunca havia sorrido antes aos seus amigos, e falou:
 Desculpem colegas, não posso, vim apenas vender este peru, não posso demorar. Hoje sou o homem mais feliz do mundo, e logo voltarei para casa, preciso levar alguns remédios para mulher. Retrucou Galego, um dos amigos:
- Fala  sério Seboso você nunca foi assim, jamais rejeitou uma branquinha, o que esta acontecendo? E por que esta felicidade toda? Quase explodindo de felicidade, os olhos vermelhos, sem conter as lágrimas que tentava contê-las, mas insistiam em  sair, olhos umedecidos, mas a face enfeitada por um sorriso alegre que ia de uma orelha a outra mostrando todos os dentes.
- Como vocês já  sabiam, a mulher estava grávida e hoje, ah... hoje, meu filho nasceu gente, nasceu... preciso um motivo maior para está alegre?
Todos os colegas correram ao seu encontro e abraçaram-no. Deram-lhe os parabéns. Vamos  comemorar tomando uma. Disse morcego:
 -Eu até pensei que este peru era para tira gosto.
 -Brinca não cara, falou Seboso, minha mulher me mata. Afinal  onde diabo esta o  Zé Careca? Preciso ver se ele não quer comprar o peru. Insistiu um dos seus amigos:
 -Toma pelo ao menos uma em homenagem ao seu moleque.
 -Não, não posso. Ele bem sabia que nunca conseguia tomar apenas uma, mas de tanto insistirem  Abelardo aceitou. Tomou uma, duas, três e não conseguiu parar mais. Enquanto o cavalo entre muitos outros matavam a sede  no tanque dágua, Seboso não apenas tomava birita, mas degustava cada copo de pinga, que descia rasgando, queimando feito brasa goela abaixo e, entre um gole e outro, gritava: Meu filho nasceu... meu filho nasceu... meu filho nasceu. Há esta hora, o peru já estava morto, e Zé careca  assando-o, não por tê-lo comprado, mas a pedido do próprio Abelardo, para servir de aperitivo a ele e os seus amigos (se é que pode chamar estes de amigos...).
As horas voavam, o dia chegava ao fim, o sol  escondia-se atrás da serra, o dia se escapulia por trás das montanhas e aparecia no céu às primeiras estrelas cada uma com um brilho cintilante mais que a outra, enfeitava o céu azul de Vila da Posse. Enquanto o sol se escondia, a lua despontava atrás dos montes, os vaga-lumes passeavam e entre uma árvore e outra podia ver pequenas luzes piscando parecendo miniaturas de helicópteros com seus sinalizadores. Os passarinhos em revoadas se recolhiam ao aconchego dos seus ninhos, e nada de Seboso voltar para casa. À mulher, nervosa, aguardava o pobre-diabo que não aparecia com os remédios. Além de preocupada  ainda sentia dores, pois apesar de dona Chica, ser uma ótima parteira, muito experiente, o trabalho de parto havia se complicado, por ser o primeiro filho e Teresa era jovem, inexperiente. Uma mulher forte é verdade, mulata cor de jambo, olhos negros grandes, cabelos lisos, parecendo índia, caiam até abaixo dos ombros, rosto de menina, lábios carnudos, quando sorria lembrava uma flor desabrochando na primavera, voz delicada angelical, o que a deixava extremamente desejável. Andava como que desfilando, na ponta dos pés, não para se exibir, mas com a sensibilidade ingénua das mulheres do interior. Pernas bem torneadas, coxas grossas, e um busto de causar inveja as que usam silicone, mas no momento  ela precisava urgente de um antiinflamatório e alguma coisa para tirar as dores.
 O peru já era, nem cheiro havia mais, cada um foi para sua casa.  Seboso quase sem se segurar de pé, ainda resmungando:
-Meu filho nasceuuuu... meu filho nasceuuuuuu... Arriou o cavalo, montou, seguiu mato a dentro, na verdade ele não conseguia guiar o cavalo, muito manso e conhecendo o caminho o qual percorria todos os domingos e quando necessário alguns dias no meio da semana,  o levava, meio montado  meio debruçado com a cabeça em cima da lua da sela, abraçado ao  pescoço do animal para não se esborrachar no chão. Chegou em casa, não desmontou, escorregou-se pelo lombo do cavalo e mesmo cambaleando, conseguiu tirar a sela e os arreios do bicho, soltou-o no pasto, entrou  em casa segurando nas paredes, como quem delirando ou ouvindo alguma piada sorria e falava: Cadê meu filho? Cadê meu filho? Quero ver meu bebêeeee.  Sem peru e sem remédio nenhum. Vendo a situação do marido, Teresa, que parecia no momento, uma flor quando lhe falta o orvalho, castigada pelo sol, nada falou, só chorava, soluçando baixinho talvez de vergonha, tristeza ou porque realmente estivesse sentindo muitas dores. Não se sabe ao certo. O marido engatinhando pela casa como uma criança aprendendo andar. Ela observando pensava:
 -Após tanto tempo  de casado, o apelido Seboso, nunca caiu tão bem ao elegante e  Abelardo.


Francis Gomes


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

 

 

ENCONTRO DE RIOS...

 

A criança e o poeta



Há! Se o tempo parasse de repente,
E voltasse a ser como era antigamente
Para eu reviver velhas alegrias.
E eu voltasse ser criança novamente,
E se possível, ser criança eternamente...
Envelhecer na meninice dos meus dias.

Como eu queria ser criança a vida inteira!
Cabelo duro todo sujo de poeira,
Chegar em casa e ouvir, mamãe falar:
-O que tu fez com a tua cabeleira?
-Por ventura faltou água a cachoeira
-Vem cá menino deixa que eu vou te banhar”.

-Traz o sabugo e rapa de juá,
-Este cascão hoje vai ter que limpar.
-Mamãe já sou homem macho.
-Vem logo se não quiser apanhar.
E eu saía, pula pra lá e pra cá,
Até chegar a beirada do riacho.

Chegando lá, mamãe dizia: - entra no rio.
Eu brincava até ficar roxo de frio,
Só saia quando mamãe me chamava.
-Vem cá menino, me deixaeu ver o teu ouvido,
-Limpou direito? Coisa que eu duvido.
E com um pano velho me secava.

-Dá a mão filho vamos embora.
E nós saia caminhando estrada afora,
Até chegar a nossa casinha de sapé.
Enquanto mamãe fazia o jantar,
Eu brincava esperando papai chegar
De repente escutava bater o pé.

-Mamãe, mamãe, papai chegou,                                                                                  
-Ele vai pro rio eu também vou.
-Posso ir papai, com o senhor?
-Não filho, papai volta já,
-Fique com a mamãe preparando o jantar,
-Você já banhou.
-Mamãe, mamãe, quero jantar.
-Calma filho, espera o papai chegar,
-Ele já esta vindo.
E de repente ela corria e me abraçava,
Me mordia, me apertava, me beijava,
Eu nem sei, se chorando ou se sorrindo.   

Uma aurora bronzeada sobre a terra!
Era o sol se escondendo atrás da serra,
E os pássaros procurando onde pousar.
Enquanto isso eu olhava da janela,
Vendo papai que abria a cancela,
E eu corria para mesa de jantar.

Papai e mamãe sentavam,
E eu subia na cadeira enquanto oravam.
Mamãe fazia nosso prato, depois o dela.
Depois sentávamos na beira da calçada,
Olhando o céu, observando a passarada,
Eu cochilava e dormia no colo dela.

Quando o poeta, nem pensava em ser poeta,
Era apenas uma criança discreta,
Protegido pelo o rei e a rainha,
Hoje, sou mais um entre os corações contritos,
Um poeta que ninguém ler seus escritos,
Revoada de uma única andorinha.

E a criança que pulava alegremente,
Com o pai e a mãe sempre presente,
De saudades hoje o seu coração ferve.
Com os seus pais tão distantes e tão ausentes,
O poeta é um homem tão carente,
Que se torna uma criança quando escreve.

Se eu pudesse pedir algo ao altíssimo,
E minha voz chegasse ao Senhor justíssimo,
Neste  dia eu pediria um só presente:
Humildemente em nome de Jesus Cristo,
Este poeta que ninguém ler seus escritos,
Só deseja se criança novamente.                                                                                                                            
Que saudade, sinto da minha infância,
Do meu tempo de criança,
Eu, papai, mamãe, nós três.
Há! Se o tempo parasse de repente...
Voltasse a ser como era antigamente,
E eu pudesse ser criança outra vez.   
                                                   Francis Gomes

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estes dias, foi por umas destas tardes de verão  que eu descobrir o verdadeiro amor.

um amor sem fingimento, sem exigência, sem pedir nada em troca.

um amor por um ser tão pequenino, até me sufoca de tanto amor.

um amor por uma das flores mais belas e perfumadas que nasceu em meu jardim.

uma flor chama YASMIN.

 

Sempre vou te amar



Eu te amo
E para sempre vou te amar
Alem da terra
Alem do mar
Alem das estrelas
Muito alem de onde
Os meus pensamentos podem chegar
Eu te amo
E para sempre vou te amar

Eu te amo
E para sempre vou te amar
A vida pode me tirar:
O teu sorriso,
A doçura do seu olhar
O calor dos seus abraços
Mas nunca o desejo de te amar
Eu te amo
E para sempre vou te amar

Eu te amo
E para sempre vou te amar
Eu desafio o tempo
Que tudo pode apagar
Apagar da minha mente e do meu coração
Este amor que me faz pensar:
É impossível deixar de te amar
Eu te amo
E para sempre vou te amar

Eu te amo
E para sempre vou te amar
Enquanto o meu sangue correr nas veias
Enquanto o meu coração pulsar
Enquanto eu tiver força para escrever
Enquanto eu poder falar
Para o mundo eu vou declamar
Eu te amo
E para sempre vou te amar.

Francis Gomes

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O pântano de almas protestantes


Eu gostaria de ter um tempo, e debater comigo mesmo, a história do livro não lido, contando a história de uma crônica de saudades, publicada em folhetim.
Mas seu eu falar sozinho, sou louco e debater comigo mesmo me falta argumentos.
Não que eu tenha medo de perder no debate para mim mesmo, mas se eu ganhar pode se uma fraude.
Por isso eu preciso de alguém, alguém que leia e debata comigo, que discorde de mim, e me faça ler mais e me preparar melhor para os próximos debates.
Eu preciso de alguém de coragem para lutar, ao encontrar o mundo. Ao mesmo tempo faça refletir sobre os homens e a sociedade do século passado, enquanto vivo em tempo real.
Eu preciso de alguém com algumas horas disponíveis para guerrear  de portas abertas, com armas certeiras, mas que não seja crime usá-las, as armas  do conhecimento.
Alguém com raiva, que goste das provocações e quebre o tédio corruptor da mesmice. Que saiba usar suas sensações e manifestações de sentimentos a fim de transformar  a história do desenvolvimento humano. E como um deus do olimpos, observe o  mundo lá em baixo, como um pântano de almas, que protesta contra o pai da pátria, ou quem sabe um padrasto sem considerações nem papas na língua.
Eu preciso de um acrobata, mas que não fique na corda bamba. Não importa poetas, jornalistas, polemista, romancista, críticos, fanzineiros, mas que tenha coragem para defender suas idéias, ou que aceite uma boa troca de idéias.
Eu preciso de alguém que morra como Castro Alves, e não como Raul Pompéia. Alguém que mostre ao mundo que é uma pessoa de honra com a vida e não com a morte.
Alguém que saiba tirar do amor, do ódio e da amizade lições constante e quanto encontrar o mundo, possa vencê-lo, e ensinar outros fazer o mesmo.
Que seja um Machado sem ser de Assis, uma Bandeira sem ser Manuel, que esteja em Dias sem ser Gonçalves, que seja Ramos frutífero sem ser Graciliano, e se torne Amado sem ser Jorge.
Alguém que enquanto o dia vai escapando por trás da montanha, exercite as almas por meio da literatura, e faça com que viver não seja um meio termo falso da educação moral. Que seja boêmio, mas faça como Jeremias ao encontrar as palavras do Senhor.


Francis Gomes       








domingo, 20 de fevereiro de 2011

De volta ao passado

Sozinho em meu quarto
Viajando no tempo, voltei ao passado,
Pra rever um filme que eu tinha na mente
E por muito tempo ficou apagado.
Puxei na memória, e liguei o play que estava parado,
Revi as imagens de papai querido,
E minha mãezinha chorando em meus braços.

Imagens tão claras,
Que até pareciam ser recentemente,
Eu vi minha mãe em meus braços chorando
Me aconselhando filho seja prudente.
Não mate, não roube,
Mas tenha cuidado com o que for fazer...
Eu peço pra Deus que proteja você
E peço a você
Não esqueça da gente.

O meu velho pai que sempre foi duro até soluçava,
Sua voz tremia enquanto me abraçava
Com os olhos vermelhos, molhados de lágrimas.
Olhei da janela pela ultima vez
Eu vi meu cachorro,
Que ficou latindo como me dizendo
Você vai, eu morro.

O ônibus partiu fechei a janela
Comecei chorar.
Prometi pra mim mesmo
Perdendo ou vencendo
Um dia eu vou voltar.
Pra rever meu povo, papai e mamãe;
Rever meu lugar.
Até meu cachorro se ainda estiver vivo
Quando um dia eu voltar.

Então despertei abri os meus olhos para realidade.
Num curto delírio viajando no tempo de tanta saudade.
Papai e mamãe, a minha promessa ainda esta de pé,
De um dia voltar pra rever vocês
E o meu cachorro se vivo estiver.
O tempo passou, muitas coisas mudaram,
Mas não meu amor,
Apesar da distância vocês estão comigo
No lugar que eu for.

Prepare minha rede
Avise os amigos que eu vou voltar,
Convide os parentes para estar presente
Quando eu chegar.
Papai e mamãe eu quero revê-los
Poder abraçá-los,
Matar a saudade que corta em meu peito
E me faz chorar.

Francis Gomes

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Meus queridos, primeiramente quero agradecer a todos meus amigos e convidados que compareceram ao lançamento do CD. A todos e todas da ACLB, e as autoridades presentes.
Foi maravilhoso, ver a comunidade presente em nosso ponto de Cultura, aos pouco a comunidade toma conta do espaço, e faz valer a pena todo nosso esforço e luta para conseguir o ponto de Cultura no Jardim Revista. Nem quero fala muito sobre o assunto, mas vejam as fotos e aqueles que não foram, morram de inveja e vejam o que perderam, mas haverá outros saraus, é só chegar.


























quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Matar o orgulho para o amor reinar

Para de mentir para o seu coração
Chega de fingir e inventar paixão
Eu sei e você sabe que só pensa em mim,
Não depende de ti, nem do meu querer
Você só pensa em mim, e eu em você
Um amor tão grande não acaba  assim.

Se beija outra boca, pensa no meu beijo
Se eu fico com outra é você que eu vejo
A gente se engana, não o coração.
Por isso eu proponho, fazer uma trégua
Amor só é amor quando a gente se entrega
Fingir sentir prazer é pura ilusão.

Então pra que sofrer sentindo saudade
Pra que ser infeliz, se a felicidade
Bate em nossa porta a nos procurar.
Se eu não te esqueço nem você me esquece,
Se o calor de outros corpos já não nos aquece,
Vamos matar o orgulho, para o amor reinar.



Francis Gomes

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011






Meus queridos e amigos, esta chegando a hora. todos estão convidados, e intimados a participar desta grande festa, um trabalho inédito em todo alto tietê, e em São Paulo, provavelmente, o segundo trabalho feito neste estilo, um CD de literatura. Não é apenas poesia, nem apenas contos, crônicas, cordel, é um encontro de estilos. Isso mesmo tem de tudo e para todos os gostos.
Este é mais um trabalho da Associação Cultural Literatura no Brasil, uma Associação que pensa e faz literatura. Tem projetos audaciosos, para o incentivo a leitura, como:
 Uma biblioteca comunitária na sede, já em pleno funcionamento,
A feira de livros e jibis todos os últimos sábados do mês,
Trocando ideias todas as terceira terce feiras,
Tarde de cinemas e
O Sarau Literatura nossa na sede da Associação todas as terceira sextas.

Venha participar, e nos honrar com sua presença neste dia 18/ 02/2011. Será o nosso sarau, a inauguração da sede com o lançamento do nosso CD.
Venha e nos ajude a fazer literatura também na periferia, o nosso povo precisa e merece.
Faça parte, do sarau cante, dance, recite, faça o que quiser mas faça valer a pena sua presença, e a nossa luta.


Francis Gomes

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Lágrimas



Lágrimas, todos tem
De onde vem?
Rolam em meu rosto,
Sufoca meu coração,
Tão minúscula, e silenciosa,
Rigorosa, solidão.

Lágrimas, tão tristonhas,
Quem as ganha?
O mais sonhador,
Sem amor e carinho,
Pobre, inválido,
Calado, sozinho.

Lágrimas, sempre triste,
Por que existe?
Para amenizar as dores,
Sussurros de um coração sofrido,
Partido, magoado,
Solitário, ferido.



Francis Gomes

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011




A felicidade está perto

Ás vezes eu me ponho a meditar sobre a vida, ou melhor, sobre algumas pessoas, que vivem a reclamar da vida.
Tem pessoas que para elas tudo esta errado, fala que nada dá certo, que é infeliz, não encontra ninguém que goste dela, e  a felicidade é uma lenda  que ninguém conhece na realidade.
Para estas pessoas eu gostaria apenas de que elas pensassem um pouco no que vou escrever agora: se você consegue andar, imagine se perdesse as pernas. Se você pode ver, imagina se perdesse a visão. Se você tem os dois braços imagine se perdesse uma mão, um braço, ou os dois. Se você tem um carro e acha que está velho, imagine se andasse de transporte público.
O seu emprego é ruim, andas trabalhando muito, imagina se estivesse desempregado. O seu salário é pouco, imagine quem ganha um salário mínimo. A sua casa é pequena, e quem vive em baixo de pontes, viadutos, na rua, sem cama, sem teto, sem nome, sem se quer existir para a sociedade. E quantas pessoas têm todos estes problemas e ainda sorri pra vida, e você sã, com saúde, perfeito ainda reclama da vida, ainda diz que Deus não te ajuda, e a vida é injusta. Pense nisso, e responda para você mesmo. A vida é injusta com você ou você é injusta com a vida? Não queira mudar o mundo, ela não muda se você primeiro não mudar. Não culpe ninguém pela sua infelicidade, se você não corre atrás como quer que o outro corra por você? Quando falo isso, não quer dizer que devemos apenas olhar os que estão em pior situação que a nossa, apenas que saibamos valorizar o que temos o que somos, e  principalmente o que Deus nós dá, digo nos  dá mesmo. E por que digo nos dá o que você tem feito para merecer alguma coisa do todo poderoso? A você é uma boa pessoa, ajuda  seu próximo, faz o bem? É uma obrigação. O será que você acha que se você fosse má as coisas seriam melhores? Portanto pense, mas pense bem  antes de reclamar da vida.

A vida é uma bola e está girando, em suas voltas os mais fracos vão ficado, Feliz aquele que tem história pra contar.


Francis Gomes


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ciúmes


Eu te esqueci.
Tudo que eu não quero dizer, è:
Eu te amo,
O que eu sentia passou,
Criancice minha,
 Por Coisas banais, sem sentido!
Me machuquei muito
Sofri de mais.
Sem motivo,
Por meu desvario
Por este amor louco
Este sentimento doentio.
Não quero mais
Chega de sofrer
Sem necessidade,
Chega de fingir para mim mesmo.
Este sentimento me destrói
Quero ser feliz,
Acabou, cansei;
Amo você!
O amor é mais forte que isto!
Eu entendi, pude ver;
Chega de ciúmes,
Se você me ama;
Não quero saber;
Ciúme é uma doença,
Quer saber?
Estou curado,
Do ciúme, do seu amor,
De todo este sentimento,
Estou livre.

Francis Gomes.







Ler de cima para baixo e de baixo para cima.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor e sexo



O amor é forte, inteligente.
O sexo é rude, mas prazeroso.
O amor não sobrevive sem sexo,
Totalmente dependente,
E a distância traz saudade.

O sexo não precisa de amor,
Até por pensamento da prazer.
O amor é uma cadeia,
É compromisso.
O sexo é liberdade.

O amor simboliza a perfeição,
Cheio de regras,
Quanto mais certo, maior.
O sexo, sem escrúpulos
Quando mais safado, melhor.

O amor é calmo, Humano,
O sexo, selvagem, animal.
O amor é família,
O sexo, um cão bandoleiro
Um moleque vadio.

O amor não tem idade,
O tempo não passa para ele,
Mas lembra a velhice.
Já o sexo,  a mocidade
O vigor da juventude.

O amor é cafona, não dá prazer,
Mas não oferece risco a vida.
O sexo, a alegria de viver,
Adrenalina total, o prazer maior,
Mas sem prevenção, é  morte.






Francis Gomes

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O QUE É O AMOR?

Talvez o sentimento mais sublime
O mais forte dos sentimentos
Ou até mesmo o mais bonito
Mas que particularmente quase nem acredito.
O amor faz sorrir e chorar,
Faz as pessoas felizes e tristes,
Afinal de contas o que traz o amor?
Uns dizem que traz felicidade
Outros que são infelizes por amar de mais;
Uns dizem que o amor suporta tudo
Que tudo o amor perdoa
Outros dizem que daria a vida por quem ama
Mas outros tiram a vida de quem ama
E diz: foi por amor!
O que é este sentimento chamado amor?
Como nasce se não tem semente?
Como cresce, mesmo quando não o regamos?
De que tamanho pode ficar o amor;
Uns dizem que cresce tanto, que nem cabe no peito.
O amor é mesmo tão grande assim!
Ou somos pequenos, para este sentimento chamado amor;
Dizem que ele é eterno;
Mas porque acaba?
Se o amor é perfeito porque amamos a pessoa errada?
Eu não compreendo o amor,
Uns sofre por amar de mais, até choram...
Outros choram e sofrem muito mais, quando não tem amor,
Como pode ser tão contrariado!
Uns felizes por amar, outros por nunca ter amado...
Uns passam a vida inteira procurando um grande amor,
Outros têm, e o despreza;
Se ele traz felicidade, porque despreza-lo!
Se faz infeliz, porque procura-lo!
Sinceramente eu não compreendo,
Como um sentimento tão forte
Pode ser tão contrariado.
Assim eu continuo a me perguntar:
O que é o amor?
O por que  amar?
O que é sentir-se amado?
Como é viver um grande amor?
O amor é grande por se mesmo?
Ou nós, o fazemos grande?
Somos pequenos para o amor?
Ou o amor é grande para nós?
Vivemos um grande amor,
Ou um grande amor nos faz viver?                                                                                               
Se eu falasse para alguém:
Eu vivo porque te amo,
Te amo para viver,
Eu vivo para te amar!
Seria o amor, o mesmo que vida?
Infelizmente eu não tenho resposta,
O amor é grande e nos faz pequenos,
Somos pequenos e o amor nos faz grandes,
O amor é tão inexplicável,
Como inexplicável é a forma que amamos,
Mesmo sabendo que não somos amados.
Assim este sentimento chamado amor
Nos faz rir e chorar,
Nos da e tira a vontade de viver,
Nos faz felizes e tristes ao mesmo tempo,
Nos faz sonhar mesmo acordado,
Nos faz acordar e dormir para a vida,
O amor nos transforma em seres vulneráveis,
E ao mesmo tempo nos fortalece,
Cega-nos  e abre o coração,
Há... Este sentimento chamado amor!
Eu o sinto dentro de mim, com toda certeza o sinto,
Mas não sei, não sei mesmo, nem consigo entender,
O que é o amor!


Francis Gomes

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Oficinas Gratuitas.

Está chegando o dia e a hora, além do lançamento do CD de literatura da Associação Cultural Literatura no Brasil no próximo dia 18/02 foram abertas as inscrições para as diversas oficinas de literatura. Escolha de qual  quer participar e faça já sua inscrição. Cordel, conto, poesias e muito mais.




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Onde estão os escritores?

Meus queridos, ontem 02/02/2011 foi o primeiro encontro de escritores no ponto de cultura Círculo das letras, pelo projeto;  COMUNIDADE DO CONTO. Este que é um excelente projeto do escritor Sacolinha, e mais um dos muitos existentes,  para os escritores da Associação, escrever mais e melhor,  incentivarem os novos sócios  e a comunidade também. Já  sábia que poucos gostam de ler, o que é uma lástima, mas como podem escritores, perderem a chance de alem de criar novos trabalhos,  a oportunidade de adquirir novas experiências, de como escrever melhor, e se tornar craque no que faz?  Uma chance de se aperfeiçoar, ver seus erros, pontos negativos e positivos de sua obra. Mas cadê os escritores?
Que pena. Foi o que aconteceu com os que não participaram do primeiro encontro da comunidade do conto. Pelas fotos iram ver quem estive presente, mas faço questão e falar:
Mano Cákis, Sacolinha, Lúcia,  que veio do bairro Palmeiras, Landy, O sumido Guel Brasil, Jaine escritora que nunca havai antes apresentado seu trabalho, olha o primeiro fruto do projeto, e até a Landinha marcou  presença, e claro Francis Gomes. Mas cadê os escritores da associação? Meus queridos não sabem o que perderam. Mas ainda há tempo, porque o primeiro encontro foi um sucesso, apesar da ausência de muitos escritores, os que foram viu, valeu à pena iniciar este projeto, o quanto aprendemos e   iremos aprender. Parabenizo a todos que marcaram presença. Se para alguns está difícil ler um livro por mês, imagina ler e escrever um conto! e nem adianta ficarem bravos, isso é um aprovocação mesmo. O projeto é bom, e fará os bons ficarem melhores.
Até o próximo encontro. 
Tema:  NEGRO.

Francis Gomes




terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

E ás vezes,ou quase sempre vivo revoltado e é por isso que eu escrevo, para desabafar,para atirar com minha arma favorita, onde atiro, acerto, não sou jugado nem preso. por isso grito e grito alto, para quem quiser e quem não quiser ouvir, se não ouvir que leia.

Também sou gente


Eu falo sem ter vergonha,
Se não posso ser montanha,
Sou uma pedra no sapato.
Mas eles querem que eu morra,
Seja um atleta e não corra,
Apanhe e fique calado.

Eu vejo a morte de perto,
E me dizem que não é certo
Falar da minha desgraça.
Sou tratado como um bicho
Me alimento de lixo,
E durmo em banco de praça.

Chamam-me de vagabundo,
Pé inchado, porco imundo...
Por que não vai trabalhar?
Bêbado pela a esquina
Coloca a culpa na sina,
Tem mesmo é que se ferrar...

Mas eu vou fazer o que?
Eu nunca aprendi ler,
Trabalho ninguém me dá.
Mas imagine você,
Não tenho nem pra comer,
Como é que eu vou estudar?

Escola eu não conheço,
Faculdade eu desconheço...
Só ouço o povo falar,
O que eu passo é desumano,
E os direitos humanos,
A onde diabo ele estar?                                                                                                             

Este é o nosso regime,
Se o homem comete um crime,
Tem o estado para cuidar.
Enquanto é negligente,
Matando o povo inocente
Porque não quer ajudar.

E querem que eu me cale,
Morra e nada fale,
Afinal, lixo não fala...
Mas eu sou lixo orgânico,
Daquele que causa pânico,
E a nação se abala.

Por isso eu falo, falo e falo...
Morro e não me calo,
Sou mesmo um bicho,
Daqueles que tudo come,
E pra não morrer de fome,
Precisa viver do lixo.

Restos de comida, peixes crus,
Disputo com os urubus,
Vira lata, varejeira, em fim,
Onde o dinheiro domina,
O que o homem abomina,
É o que sobra pra mim.

Ei, sou pobre, sou desprezado,
Vivo por ai largado,
Sou mais um sobrevivente.
Sei que pareço com um bicho,
Me alimento de lixo,
Mas lembrem, também sou gente.





Francis Gomes