sexta-feira, 3 de agosto de 2012

QUANDO A SAUDADE APERTA

Como eu queria voltar ao meu pé de serra.

Faz muito tempo que deixei meu pé de serra.
E como eu gostaria de voltar novamente a ele,
Mas eu queria muito, que nesta viagem
Eu também pudesse voltar ser criança.
Para estudar na mesma escola,
Getúlio Vargas, ao lado da igreja.
Rever minhas professoras do primeiro ano,
Até o colegial, porque sempre estudei
No mesmo colégio.
Jogar bolinha de gude no intervalo,
Brincar de pega pega.
Pescar, e tomar banho no Carius.
Pular da ponte nas suas cheias,
Das barreiras, das árvores, e pegar
Areia no fundo do rio.
Comer manga colhida no pé,
Descascar como os dentes,
Como diz Drummond, manga é fruta
Para se comer ao ar livre e se lambuzar todo.
Jogar bola nos campinhos de areia,
Correndo descalço pelas ruas e estradas de terra.
Chupa cana a noite, ouvindo vovô contar histórias,
Brincar com fogo ouvindo mamãe falar:
- Para de brincar com fogo menino,
Se tu mijar na rede apanha.
Tomar água de pote,
Carregar água na cabaça,
Montar em jumento, burro, cavalo.
Levar a cabras para pastar,
E carregar os cabritinhos no colo
Quando cansavam.
Dormir no colo de mamãe,
Ah! Como eu queria.
Pedir dinheiro a papai,
Para comprar dimdim,
Geladinho para quem não sabe.
Pegar passarinhos de arapuca,
Criar rolinhas dentro de casa,
Brincar com elas, de tão mansinha que eram.
E na mata,  colher coco catolé,
Bananinha, Mutamba, tamarina,
Ameixa, maracujá selvagem.
Deitar em baixo de um juazeiro
E dividias as frutas caídas
Com os cabritinhos,
Uma pra mim, outra para você
Até dormir.
Nas vazantes, cheias de macaúba,
Batata doce, mamão, laranja.
Sim eu queria voltar ao me pé de serra,
Voltar ser criança.
E quem sebe, eu voltasse ser feliz.
E sonhar no colo de mamãe.

Francis Gomes.


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