segunda-feira, 16 de setembro de 2013

UM ABRAÇO CORDELIAL A TODOS QUE AMAM ESTA CULTURA E ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

Meus queridos a parti de hoje estarei publicando uma retrospectivas dos meus   20 cordéis publicado começado do primeiro cordel até agora, não colocarei a história completa mas acho que o suficiente para apreciar um pouco o meu trabalho.




O caipira feio e a academia I

  
Seu moço eu nasci na roça
Debaixo de uma paioça
Bem no meio do matagar,
Estória que eu ouvi dizer,
Que quando eu fui nascer
Mamãe danou-se a gritar
Gritava numa artura!
Que meu pai Mané Ventura
Ouvia lá do currar.

Este homem se assustou
Deu um pulo e perguntou:
- Menino o que diacho é isso?
O que está acontecendo?
Quem diabo é que está fazendo?
Todo este rebuliço?
O cabra saiu correndo,
Chegou em casa dizendo:
- Mazé; o que peste é isso?


Mais gritando que falando
Se retorcendo e chorando
Minha mãe veio a dizer:
- Homem deixe de besteira,
Vá chamar logo à parteira
Teu filho está pra nascer.
Mas o caboco fez de tudo
Fez careta ficou mudo
E não conseguiu se mexer.

Nesta hora a coisa fedeu,
Minha mãe quase morreu
E meu pai sem se mexer.
Foi tanta gritaria
Que a vizinhança corria
Desesperada pra ver.
A parteira dona Odila
Foi à primeira da fila
A começar a correr.

E quando a mulher chegou
Que meu pai ela avistou
Entrevado sem mexer,
Era minha mãe gritando!
E o homem só espiando
Sem ele nada fazer,
Quase que foi a loucura
Gritando: - Mané Ventura
Vai deixar a mulher morrer?

Começou a correria
Traz pano, traz a bacia,
Bota a água pra ferver.
Outro gritava lá de fora,
-Vala minha Nossa Senhora
O menino não quer nascer
De repente ouviu-se um grito
- Meu Deus que bicho esquisito,
- O que isto venha a ser?

A parteira aperreada
Gritando desesperada,
-Traz a luz pra clarear.
E quando a luz chegou
Que a parteira olhou,
Começou se arrepiar,
Vendo o jeito de dona Odila,
Todo mundo já fez fila,
Correndo pra espiar.

- Meu Deus o que é aquilo?
Só de cabeça mais de quilo!
Mas que bochecha tão cheia!
O beiço todo encarnado,
O olho arregalado
Sem pelo na sobranceia.
Mas nem parece com gente,
E já nasceu com dois dente

Credo em cruz que coisa feia...


E a história continua....

Em breve o próximo cordel.


Francis Gomes

sábado, 14 de setembro de 2013

A CARTA QUE NÃO CHEGOU AS MÃOS DO PRESIDENTE LULA

Carta ao presidente



Saiba excelentíssimo senhor presidente,
Homem nordestino como a gente,
Que aqui no nordeste tudo vai bem.
Há mais de dois anos que não chove,
Se não acredita, venha o senhor e comprove
Apesar de que isso, não é da conta de ninguém.

As ribaçãs que sempre migram do agreste,
Enfeitando o céu azul do meu nordeste,
Também fugiram para não morrer de fome.
E a cauã que canta ao romper da aurora
Hoje não canta, ela simplesmente chora,
Pois como eu, faz muito tempo que não come.

Por falta de chuva, os rios e açudes secaram,
Os resistentes umbuzeiros murcharam,
Até o mandacaru murchou também.
Mas saiba excelentíssimo Senhor presidente
Homem nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Os nossos filhos, já nem vão mais a escola,
Ao in vez disso, precisam pedir esmola,
Andam sujos, descalços e esmolambados.
Tem muitos prostados em cima da cama,
Isto é normal depois de beberem lama,
Misturada com fezes e a urina dos gados.

Gados que morreram sem ter pra onde fugir,
A fome e a sede, não puderam resistir,
Mas este é o destino que todo sertanejo tem.
Por isso saiba excelentíssimo senhor presidente
Homem nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Somos nordestinos, fomos esquecidos.
Homens e mulheres desconhecidos,
Apesar de ser um povo tão valente.
Quarenta dias jejuaram Cristo e Moisés,
Mas meu senhor jejuar quarenta meses
Infelizmente não existe quem aguente.

 Senhor presidente, desculpe lhe jogar isso na cara,
Sei que também fugiu da seca num pau de arara,
E conhece esta dor como ninguém.
Por isso saiba excelentíssimo senhor presidente
Homem nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Se por acaso esta carta chegar a vós
Certamente não ouvirá mais minha voz
Porque a morte esta batendo em minha porta.
Não sou o único, sou apenas mais um homem
Como muitos, condenado a morrer de fome,
Mas e daí, quem com isso se importa?

Desculpe os erros minhas mãos estão tremendo
E as minhas vistas já estão escurecendo
Chegou à hora, de eu me despedir também.
Mas saiba excelentíssimo senhor presidente
Homem nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo continuará bem.







Francis Gomes

FRANCIS GOMES EM DVD DE LITERATURA DO LITERATURA NOSSA.


Imagem do DVD de literatura que eu faço o cordel, O PREGUIÇOSO, Juntamento com mais seis escritores cada um interpretando seus textos. Sidney Leal, Débora Garcia, Sacolinha, Elizabete e Nelson Olavo. Em 20/09/2013 será o lançamento em nosso sarau, Literatura nossa.







sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Será que foi ilusão


Me aproximo do seu corpo devagar
Suavemente toco seu rosto macio
Tão meigo e puro como a brisa do mar

Tão envolvente que me leva ao delírio
Falo palavras de amor ao seu ouvido
Se envolvemos muito além da razão
Os nossos corpos formam ondas de paixão
Em nosso quarto deságua um rio de carinhos

A sua mão desliza leve em meu corpo
Em nossos corpos a essência do amor
Tanta paixão que chego a pensar que estou louco

Se for um sonho não quero mais acordar
Se eu estiver louco quero  ser louco eternamente
E em teus braços fazer o tempo parar

Seu perfume está no ar
Chego até ficar louco
Os lençóis estão molhados
Com o suor do seu corpo
Será  que isto foi real
Uma alucinação
Será que isto foi um sonho
Ou delírios de paixão


Francis Gomes

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O ciclo

Quando surgem
Os primeiros cabelos brancos
E as rugas começam a aparecer
A gente se olha no espelho
E muitas vezes não sabe o que dizer.
Tem dias que se acha muito velho
Em outros, muito novo para morrer.
O tempo voa, e a vida passa.
Como a imagem no espelho,
Como se fosse fiapos de nuvens
Desgarradas no céu levada pelo vento.
Somos assim:
No principio muito jovem pra ser velho
E no fim,
Muito velho pra ser jovem
Até que tudo volte novamente ao pó
Quando a juventude e a velhice pouco importa
Seremos só, sem imagem a refletir no espelho.

Francis Gomes



sábado, 7 de setembro de 2013

POETA E CORDELISTA FRANCIS GOMES LANÇA 20º CORDEL.


Meus queridos este é meu 20º cordel, tive a honra de contar com o grande caricaturista e desenhista Onézio Cruz para fazer a capa.
Vou deixar algumas estrofes para você apreciarem e se quiserem ler a história completa basta adquiri pelos contatos, tanto este cordel como qualquer um das 20 histórias, até do meu livro Ecos do Silênico.

o segredo de 
Evandro e eu


                                                                       CORDEL



O segredo de Evandro e eu

Que me conhece, conhece
Também o meu primo Evandro
Nós sempre estivemos juntos
Fosse vendo ou comprando
No mato nas ruas nas pistas
Nós éramos grandes artistas
Só quando tava aprontando

Mas na vida é deste jeito
Nem sempre a gente ganha
Tem dia que a gente bate
Tem dia que a gente apanha
Até pra quem só apronta
A sorte ás vezes é contra
E mosca pega aranha...

...O forró da Dona Tinha
Era muito afamado
Por ir mais mulher que homem
Ou forró abençoado
Até feio como eu
E Evandro primo meu
Era bem requisitado

Mesmo quem é como eu
Ás vezes meio acanhado
Toma uma, toma duas,
E a gente fica empolgado
Esquece os não que recebe
E quando a gente percebe
Tá beijando e é beijado...

...Pois é, a vida aprontou,
Com o meu primo Evandro
Ele que se achava
Um dom Juan e malandro
No forró da dona Tinha
Ele namorou Sandrinha
Que cá pra nós era Sandro...

...Trancado a sete chaves
Evandro sempre escondeu
Se perguntar ele nega
Diz que nunca aconteceu
Que isto não foi com ele
Mas sim com o primo dele
Que neste caso sou eu...

...Mas a história verdadeira
É como eu estou falando
Meu primo chegou na festa
Faceiro todo malandro
Quando avistou a Sandrinha
Falou: Esta vai ser minha
Ou não me chamo Evandro...

...E pra falar a verdade
A danada era charmosa
Das mulheres do forró
A peste era a mais cheirosa
Todo homem que olhava
No mesmo instante falava
Eita loirinha gostosa!

Os peitos eram dois melões
Blusa tomara que caia
As coxas também dois troncos
Rasgando a minissaia
Quando Sandrinha olhou
Evandro logo falou
Eu vou nadar nesta praia

Danado, pois nadou mesmo.
Mas depois se arrependeu
Se lambuzou com melado
E no final nem comeu
Pior que o infeliz
Alem dele negar diz
Que quem fez isso fui eu...


Francis Gomes

São apenas algumas estrofes, para ler o cordel completo:
11 976154394 claro
                                                                  11 954860939  tim  







sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ELIAS SHAMMASS, UMA ESCOLA DE GENTE QUE FAZ ACONTECER

Não quero ser um gentleman, apenas justo, por isso agradeço imensamente a escola Elias shammass, a todos os professores, coordenadores e diretores, e de maneira especial a todos os alunos da 5º, 6º, 7º e 8º pela calorosa recepção a minha pessoa no encerramento do 11º concurso de poesias. Ao mesmo tempo parabenizo a todos pelo projeto tão bem elaborado, porque sei que não é fácil fazer literatura no Brasil, mas estes heróis do Elias Shammass, escola que fica na Cidade Tiradentes Guaianases, conseguem fazer isso há onze anos, por isso são dignos de todos os louvores e honra pelo excelente trabalho.
Aos alunos e alunas meu muito obrigado pela colaboração, pelo silêncio e os aplausos. Isso se estende tanto as turmas da 7º e 8º para quem fiz a palestra pela manhã quanto aos alunos da 5º e 6º para quem fiz um bate papo na parte da tarde.
Vocês foram maravilhosos e abrilhantaram o meu trabalho com vossa colaboração, fiquei imensamente feliz com o resultado espero que também seja recíproco para com vocês.
Um agradecimento especial ao meu amigo Onézio pela indicação, pelo convite e por acreditar no meu trabalho, e a coordenadora pedagoga Cassiana Takagi pela receptividade para com meu trabalho e minha pessoa. E a todos de forma em geral.
Um beijo no coração de todos.
Curtam a imagens desta festa maravilhosa.


Francis Gomes



Autografando livros






Francis gomes e Cassiana Takagi coordenadora pedagoga 

Francis gomes e o Onézio Cruz vice diretor







APRESENTAÇÃO JANDYRA COUTINHO 29/08/2013

Cordel e poesia esquenta noite fria de quinta feira  no Jandyra Coutinho. É o nordeste sendo declamado em forma de poesia e cordel pelo poeta Francis Gomes. A vida pede passagem para dias melhores.






quinta-feira, 29 de agosto de 2013

BATE PAPO COM O AUTOR VILA CURUÇA

Em mais um evento em que a literatura se fez presente, a poesia emocionou e o cordel cantou de galo. No bate papo com o autor evento que aconteceu na Fábricas de Cultura da Vila Curuçá, Francis Gomes apresentou a vida no seu cotidiano por meio de poesias como, meu pai meu orgulho, vendendo pó nas escola entre outras, e enalteceu o povo e cultura nordestina com seus cordéis.
Neste descontraído encontro, os risos e aplausos, aprovam que o estilo do poeta, o seu gesto de levar esta cultura de sua terra por onde passa, como se fosse seu próprio sangue correndo nas veias agrada seu publico e leitor.
Uma forma diferente de falar sobre literatura.Uma maneira descontraída de mostrar a beleza da cultura e costumes de um povo muitas vezes tão descriminados são marcas deste poeta que cruzou fronteiras carregando em sua bagagem suas raízes.
Obrigado a todos que se fizeram presentes pelo carinho. obrigado a Juliana e todos da organização pelo convite.
Um beijo no coração de todos.

Francis gomes











terça-feira, 27 de agosto de 2013

O verdadeiro Dom Juan

O grande conquistador não é o que conquista muitas mulheres,
Mas o que conquista mesma mulher muitas vezes.


Francis Gomes.