segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estilo caipira de amar


Eu sou um poeta
De estilo caipira
Meio matuto
Um pouco acanhado
Do tipo que gosta
Da coisa direita
Direta, discreta
Que dê resultado.
Se quero a mulher
Falo eu mesmo
Não mando recado.

Para o mundo de hoje
Tão modernizado
Eu tenho um estilo
Talvez atrasado,
Chego mansinho
Sorriso maroto,
Olhos nos olhos
Piscada de olho
Chamo de lado,
E falo baixinho,
Ao pé do ouvido
Como quem sussurrando
Quase roubando
Um beijo molhado.

Eu tenho comigo
Antigos valores,
De grandes paixões
Muitos  amores,
Ainda sou do tipo
Que manda  presentes
Café da manhã
Que escreve cartas
E envia flores.

Eu sou um amante
A moda antiga
Daquele que gosta
De andar de mãos dadas
Pelas calçadas,
Curtir um cinema
Tomas um sorvete
Sentado na praça
Com a namorada.

Eu sou carinhoso,
E muito romântico,
Mas se precisar
Eu chego chegando,
Sem blá blá
Sem ficar conversando.
Também acredito
Que vale de tudo
Na hora de amar.
Se a mulher prefere
Uma pegada mais forte
Não sou de negar.
Entre quatro paredes
Nada é proibido
Sou moço e bandido
Mas deixa pra lá.

Eu também não sou
De fazer as coisas
E sair falando.
Não é meu estilo
Ficar me gabando.
Sou dos que acreditam
Que o sabor da comida
Só conhece provando.









Francis Gomes

domingo, 14 de novembro de 2010

Meus queridos, nesta noite do dia treze do atual mês de Novembro de 2010, fui presentado com um presente sem embrulho, sem laços, sem cartão, um presente do tamanho do Galpão das Artes.
Como sempre, ou quase sempre que existe algum evento em Suzano, eu e o brother e escritor Sacolinha marcamos presença divulgando nosso trabalho, não poderia ser diferente desta vez na 6º amostra de referências teatrais de Suzano.
Como nada acontece por acaso,desta vez fui sozinho já que o amigo Sacolinha precisava ficar no Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi organizando o tão Conhecido Pavio da Cultura. Tava tudo certo, após a entrada do pessoal ao teatro eu deviria comparecer ao Centro cultural para participar do pavio, mas não sei, talvez por um espírito inquieto e apaixonado  pelo sertão, do grande poeta Patativa do Assaré, resolvi ficar.
Que viagem, voltei no tempo, e pude ver novamente as estradas de terra, as pedras ,as casas de taipa de barro branco, a casas de farinha que tem na Serra de Santana, os chocalhos batendo, a pinguinha branca, a inchada, e ouvir o cantar dos passáros da terra  onde eu nasci,  e nasceu e viveu o poeta, Patativa, fiz uma conexão direto de São Paulo a Assaré, por meio da Rádio Caldeirão.
Mais uma vez o meu orgulho de ser nordestino tomou de conta de mim ao ver através da peça CONCERTO DE ISPINHA DE FULÔ, com a CIA DO TIJOLO, que enquanto tantos estudiosos buscam estudar, técnicas, métricas de se fazer poesia, e um matuto analfabeto escrever maravilhosamente como Patativa, o meu mestre no cordel e na poesia matuta, obrigado Patativa do Assaré.
Você deve está se perguntando, e o presente, calma o presente vem agora,em um dos momentos da peça, escrevíamos e falávamos de onde éramos, quando falei que era de Assaré, fui chamado ao palco, fui ovacionado, muito aplaudido, e quando falei que era cordelilsta, pediram para que eu fizesse um cordel, antes de tudo isso acontecer eu estava não sei porque, talvez Patativa saiba, exatamente tentando lembrar o cordel o Sertanejo de minha autoria onde presto uma homenagem ao génio, recitei-o, que maravilha, eu jamais poderia imaginar isso, ir ao teatro para ver uma peça, e fazer parte do espetáculo, isso são coisas da vida,  se o mundo é de escolha fiz a escolha certa ao ficar lá, se é de oportunidade, então estava eu no lugar certo na, e na hora certa. Um espétaculo excelente, e artista maravilhosos. Parabéns CIA DO TIJOLO.
vejam parte do Cordel.


O Sertanejo

Sei que não vou fazer feio
Pois só sei fazer bonito
Eu nasci em Assaré
Vivi em Farias Brito
E conheci Patativa
Poeta de voz ativa
Que do sertão era o grito

Por isso quero falar
Nesta mesma ocasião
O cordel o sertanejo
De minha própria invenção
Um cartão de boas vindas
Falando das coisas lindas
Que existe no meu sertão

Seu doutor sou sertanejo
Num sei ler mais eu pelejo
Fazer meu verso rimado
Às vezes num sai direito
A rima num sai perfeito
E o verso fica quebrado

Patativa do Assaré
Nosso poeta de fé,
Que Deus tenha lá em cima.
Disse que no mês de maio
Nasce um verso em cada gaio,
E em cada flor uma rima.

Que poeta de valor
Num precisa professor
Pra lhe ensinar a rimar.
Ser poeta é dom e arte
Da obra de Deus faz parte,
Quando nasce Ele já dar.

Num preciso de cultura,
Ciência ou boa leitura,
Pra falar do meu sertão.
Tenho tudo que preciso,
Pois é mesmo um paraíso
O meu pedaço de chão.
De modo que levo a vida
Cuidando da minha lida
Mesmo sem ter estudado.
Mas falo de coração
Nas coisas do meu sertão
Eu sou um doutor formado.

Da terra eu conheço bem
De tudo que ela tem,
Tiro sempre bom proveito.
E o senhor é um marombado
Fica a botar mal olhado
No que não sabe direito.

Eu vou falar a verdade
Num conheço a cidade,
Mas isso não me aperreia.
Pois conheço meu sertão
Por cada palmo de chão
E cada grão de areia.
E duvido que o senhor
Com seus trajes de doutor
Seu lugar conheça bem.
Como eu conheço o sertão
Como a palma da mão
E tudo que nele tem

Desde a rama rasteira
Até a mais trepadeira
E a sua utilidade.
E o senhor com seu saber!
Eu duvido conhecer,
Cada rua da cidade.

Sei o nome de cada mato:
Mofumbo unha -de -gato,
Aveloz e marmeleiro,
Jurema, angico, aroeira,
O velame a catingueira
A melosa e o salgueiro.
Muitos tipos de cipó,
Pau pereiro, pau mocó,
Que é verde a seca inteira.
Oiticica e jatobá,
Madeira nova, e sabiá
Sem falar da cajazeira.

Os três tipos ipê
E falo pra vosmecê
Com toda sinceridade
Que quando eles florescem,
Seu moço até parecem
O trono da divindade

Meu tempo num vou perder
Tentando lhe convencer
De tudo que tem aqui.
Dos tipos de animais,
Das ervas medicinais
Que o senhor não tem aí...


Francis Gomes.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

 Meus queridos, meus amores, meus amados seguidores, tanto os primeiros como os mais recentes, obrigado pelo apoio, sinto-me maravilhado e honrado ao ver que alguém gosta do meu trabalho. Isso  me da força para continuar trabalhando escrevendo e buscando melhorar a cada dia.  Esperm, breve novidade no blog, aguardem, em breve muito em breve, os cordeis estarão disponíveis para serem lidos por inteiro no blog.

Beijo no coração de todos.


                                        Francis Gomes

Como agir

Quase sempre agimos de cabeça quente,
E coração frio,
Quando fazemos  ao contrário,
Somos humanos.

                                    Francis Gomes
O contador de história



José Luiz, conhecido como Zé Bigode pelos mais velhos, porém entre a criançada, o contador de história. Nascido em Farias Brito, uma pequena cidade localizada no interior do Ceará. Zé Bigode era um sujeito aparentemente feliz, extremamente engraçado. Tinha um timbre agudo na voz, sobrancelhas grandes, olhos pretos, um nariz avantajado, lábios grossos e boca que não era das menores, uma estatura mediana, pele escura e como não podia ser diferente, uma vasta cabeleira de cabelos pretos e lisos, pois o tal era de origem indígena.
Trazia consigo a tradição do seu povo. Todavia o bigode era a única coisa que o contrariava, sabido que não é normal entre os índios o uso do mesmo.
Um profundo conhecedor da natureza. Ajudava muitas pessoas através dos seus  ensinamentos e remédios naturais, garrafadas, um tipo de xarope feito com raízes e cascas de árvores. Mas, além disso, tinha como grande virtude, contar histórias e anedotas orgulhava-se de fazer as pessoas rirem, principalmente a criançada, que adoravam ouvi-lo.
Todas as noites, Zé bigode tinha um compromisso: Reunia uma multidão em um grande terreiro em frente sua casa, na maioria crianças.
Iluminado pelo o esplendor  da lua, e o cintilante brilho das estrelas ia até altas horas da noite contando suas histórias e anedotas fazendo a criançada se desmanchar em risos.
Porém pouco se sabia da vida do tal, exceto que seus pais eram índios da tribo Quixará que viviam as margens do rio Cariús. Aquela aparência de felicidade, não passava de aparência, para disfarçar a grande tristeza que carregava dentro de si, pelo o que  lhe aconteceu no passado. Seus avós e pais foram expulsos de suas terras por fazendeiros que tomavam a terra dos mais pobres transformando-os em forasteiros, para viver sabe-se lá Deus onde. Quanto José Bigode não existe por ai, contando histórias para viver uma vida de aparência, maquiar a tristeza, fingir a felicidade, mas fazendo alguém ri.


      










Francis Gomes

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Meu encontro com a tristeza


Eu encontrei a tristeza
Tão triste que dava dó
Encolhida em um canto
Toda coberta de pó

Veio me pedir ajuda
Querendo me acompanhar,
Eu disse, eu sinto muito,
Não posso lhe ajudar.

Casei com a felicidade,
E tenho um filho alegria,
Se dependesse de mim,
Você nem se quer nascia.

Você tem um  jeito feio
Pare com esta mania,
De por os outros pra baixo
Na maior melancolia.

Ela  falou, - não consigo
Este é meu jeito de ser,
Respondi, -  eu sinto muito
Preciso matar você.

Comecei fazer cordel
E a tristeza foi mudando
Depois de uns dois ou três
Ela já estava pulando.

Porque eu sou Francis Gomes
Nasci com esta mania
Comigo a tristeza corre
Ou morre de alegria

Francis Gomes

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poeta leva cordel ao SESI

Uma voz nordestina no SESI Parque Suzano

Nesta tarde do dia 08/11/2010, fui ao SESI cat 431, Parque Suzano,  mostrar um pouco de literatura de cordel aos alunos e alunas, também foi  o mano Cákis poeta e escritor, que apresentou um pouco da literatura periférica ou marginal como queira.
Foi maravilho, quero desde já agradecer ao Professor, Marcos Maider, que me fez o convite, ao professor Osmar e professora Solange que nos recepcionou muito bem.
Agora o meu agradecimento especial a todos alunos e alunas que se fizeram presente. Agradeço pela forma calorosa como também nos recepcionou, o silêncio, para nos ouvir, e o barulho para nos aplaudir. É sempre um grande prazer apresentar meu simples trabalho  e ver que as pessoas o apreciam.
 Não sei o nome de todos, na verdade eu não sei o nome de nenhum deles, mas quero deixar aqui meu abraço em particular, e um beijo no coração de cada um e de cada uma. Obrigado.
Esta é mais uma das tarde inesquecíveis de minha vida, como as tardes  de aurora bronzeada de meu nordeste, quando o sol maroto se esconde atrás da serra, deixando um colorido dourando e uma pontinha de saudade, um desejo de quero mais e pedir que ele, o sol não se vá, mas o que nos conforta e sabemos que ele sempre voltará, assim espero que possamos nos encontrar em outras oportunidades.

Como havia falando aqui estão às fotos do evento, apreciem comigo este momento lindo.