sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A arte de escrever


Escrever, não apenas dom é técnica.  Não é como fazer salada de frutas, que você escolhe as frutas de sua preferência, corta em pequenos cubos e pronto, é muito mais que isso.
E uma da mais antiga arte.  Começando pelos escritos em pedras, couro,  pergaminhos até chegar ao papel.  Da mesma forma que o pintor passa todo seu sentimento para uma tela assim também é com a escrita ou pelo menos deveria ser. Começa pela escolha da tela, da tinta, do pincel. As tintas são misturadas para criar uma uniformidade de acordo com o que a obra vai pedindo.
É preciso pincelar,  se afastar olhar de perto, de longe, tornar a pincelar da mais uma,  duas, outra e mais outra olhada, até que a tela comece sorri para o criador.
Escrever é isso.  Como falou Graciliano Ramos, é como faz as lavadeiras, lavam a roupa,  ensaboa , põe para quarar, enxágua, bate, espreme, torna a bater,  espreme e depois põe pra secar. Quem se mete a escrever deve fazer desta forma.
Não basta apenas juntar um monte de palavras bonitas e passar para o papel. Não.  Precisa muito mais.
È como fazer a construção de uma casa. Primeiro, prepara o terreno, esquadreja,  faz os Alicerces. Levanta a estrutura. E depois que tudo estiver caprichosamente levantado, em nível e alinhado, vem o acabamento e depois do acabamento ainda vem à limpeza.
Isso é escrever. Vem à  idéia, passa pra o papel. Ler uma, duas, duas, três e outras tantas vezes, fazendo  os cortes, enxaguando como as lavadeiras, e quando tiver enxuto, limpo como a roupa branca no sol, quando ele sorri para você, o acabamento final esta feito.  Aí é presentear o leitor com o que você tem de melhor naquele momento.

Francis Gomes






quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É brincando que se aprende

Pedrinho brincava na garagem enquanto o pai assistia televisão.
Pedrinho gritou.
- Papai, papai... Eu já sei escrever meu nome.
- Legal filho! Trás para o pai ver.
- Não  dá papai não aprendi dirigir.








Francis Gomes.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nécta da vida



Nas tetas pretas
Das miseráveis cantando,
Mamaram os potrancos
Brancos,
E continuam mamando,
O néctar branco da vida.
Sanguessugas.
Minhocas,
Devorando terras férteis
Sem dá  nada em troca
A não ser o que o organismo rejeita.



Francis Gomes

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O silêncio

O silêncio é um grito de socorro
De uma alma aflita.
A boca não fala,
Os lábios não se movem,
A língua não produz sons.
O olhar diz tudo.
Mas os insensatos insistem
Em não ouvir e não ver.
Para ele, o pobre é mudo.
E para o pobre,
O rico é cego e surdo.


Francis Gomes

sábado, 5 de novembro de 2011

DENGUE PREVENIR OU MORRER

TRECHOS DO CORDEL DENGUE PREVENIR OU MORRER.
ADQUIRA O SEU E AJUDE A DIVULGAR MAIS ESTA OBRA DO POETA ESCRITOR E CORDELISTA FRANCIS GOMES.
DIVULGUE NAS ESCOLAS NAS RUAS E TODOS OS LUGARES  SEJA MAIS UM COMBATENTE DESTE MOSQUITO.


Correndo dentro das matas
No agreste do sertão
Sem camisa no sol quente
Vivendo de pé no chão,
Naquela doideira imensa
Nunca peguei uma doença
E nem contaminação...

...E quando chegava a noite
Em volta de uma fogueira
Papai contava histórias
De arrepiar a cabeleira.
Falava de um tal homem
Que virava lobisomem
E corria a noite inteira.

Histórias de curupira
E de saci pererê
De algumas almas penadas
Que costumava aparecer,
Para deixar assombrado
O menino malcriado
E não quisesse comer...

...Tudo isso aconteceu
Há algum tempo atrás,
Quando eu ouvia as histórias
Que me contavam meus pais,
Que seus avôs lhes contavam
Que muito me assustavam
E hoje não me assustam mais.

Mas ao invés das histórias
Tradição de nossas crenças,
Hoje o que me assusta
São as terríveis doenças
Bactérias e epidemia
Multiplicam-se a cada dia
Porque o homem não pensa...

Mas ainda não é isso
Que tem nos apavorado,
Não é a guerra do morro
Bandido contra soldado,
É um mosquito maldito
Que como as pragas do Egito
Muita gente tem matado.

...Desde o século dezoito
A primeira transmissão
Da tal febre quebra-ossos
“A dengue na ocasião”
Passou por Antilhas, Zazibar
Hong Kong e Calcutá
Austrália, Grécia e Japão.

Veio em navios negreiros
Este mosquito febril
De origem africana
Aqui se introduziu.
E desde então existe
O tal aédes aegypti
Pelas terras do Brasil.

E nós que não temos guerra
Terremoto ou tsunami
Entramos num a batalha
Contra este mosquito infame,
Por um tempo ele sumiu
Mas agora ressurgiu
Mais agressivo e com fome.

E este bicho maldito
Eu diria, é bem folgado.
Adulto não morre de sede
E novo não morre afogado
Todo cheio de regalia
Pica durante o dia
E a noite fica entocado.

Febre alta, dor de cabeça
Muitas dores musculares
Cansaço indisposição
E dores abdominais.
Caso você sinta isto
Da picada do mosquito
São os primeiros sinais.

Isto na fase branda
Chamada de dengue clássica,
Tem a parte bem mais grave
Que é a fase mais trágica,
A doença fica forte
Se não cuidar leva a morte
Chamada dengue hemorrágica...


 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

MAIS UMA PARA YASMIN

O AMOR  MAIOR

Tua tristeza,
Aperta meu peito de tal forma
Que faz meu coração sangrar.
Turba minha alma,
Angustia meu espírito
Te vê chorar.

Mas o teu sorriso,
Ah! Este teu sorriso,
Me causa arrepios e,
Faz-me chorar de felicidade.
Tu ainda não sabes,
Mas um dia saberás esta verdade,

Que este a quem tu chamas de pai
Vive por ti, e daria a vida por ti,
Mas no momento oportuno,
Talvez quando eu não mais existir,

Conhecerás a grandeza
E profundidade deste amor,
E compreenderás que ele,
É mais profundo que o mar
Bem  maior que o universo,
Não cabe em uma canção,
Nem se descreve em um verso.

Por que este amor,
Este amor vai alem mim,
Alem da vida e da morte,
Alem do que eu perda ou  ganhe,
Só Deus compreende,
E tu compreenderás quando for mãe.




Francis Gomes.




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Informações equivocadas sobre a literatura de cordel e o repente de viola


            Aqui você vai encontrar uma relação dos erros  sobre o cordel e o repente


- O FOLHETO BRASILEIRO PODE SER ESCRITO EM PROSA OU EM VERSO?

 Nunca! O cordel brasileiro é invariavelmente escrito em versos. A literatura de cordel ibérica é que poderia ser, tanto em prosa como em verso.

- CORDEL E REPENTE SÃO AS MESMAS MANIFESTAÇÕES?

Não! A literatura de cordel e o repente são duas manifestações distintas, embora interligadas.

O cordel é diferente
Do repente improvisado
O cordel é sempre escrito
Em folheto e declamado
O repente é improviso
Sem ter nada decorado.

(Estrofe retirada do livro "Vida Rima com cordel" Ed. Salesiana.)

- O IMPROVISO DO TIPO "EMBOLADA", FEITO AO SOM DE PANDEIROS, SEGUE AS REGRAS DO CORDEL?

Não! A manifestação de improviso que deu origem à literatura de cordel, é a cantoria feita com viola, não com pandeiro. Existem muitas outras formas de improviso poético pelo Brasil (Cururu, Rap, Partido alto, etc) cada um desenvolvido em uma região e com características e tradições próprias.

- OS FOLHETOS DE CORDEL SÃO FEITOS EM PAPEL DE PÉSSIMA QUALIDADE?

. Não! Hoje em dia os poetas utilizam o melhor recurso gráfico possível para a impressão dos seus folhetos.

- A LITERATURA DE CORDEL É ASSIM CHAMADA PELO FATO DOS FOLHETOS SEREM EXPOSTOS PENDURADOS EM BARBANTES E VENDIDOS EM FEIRAS DO NORDESTE BRASILEIRO?

Não! A frase estaria certa se terminasse assim: "A literatura de cordel é assim chamada pelo fato dos folhetos serem expostos pendurados em barbantes e vendidos em feiras em Portugal. No nordeste, o nome dado é "folhetos" ou "romance". No Brasil, muitos cordelistas não perpetuaram a tradição de pendurar folhetos em barbantes e vendiam seus folhetos em bancas, no chão, etc.

- TODO CORDEL TEM ILUSTRAÇÃO EM XILOGRAVURA?

 Muitos tem, outros não. Embora a xilogravura esteja umbilicalmente ligada aos folhetos de cordel.
- Repente é o desafio de cantadores. Esta é apenas uma das mais de cinqüenta modalidades do universo da cantoria nordestina.

- TODO REPENTISTA É NORDESTINO?

 Não! Temos inúmeras manifestações de improviso poético por todo o Brasil, América Latina, Europa, Ásia, enfim, por todo o mundo...

             
MODALIDADES DA CANTORIA DE REPENTE E DA LITERATURA DE CORDEL

 

            Seguem algumas modalidades deste rico universo da poesia popular rimada e metrificada. Vale lembrar que são mais de 50 modalidades catalogadas. Seguem alguns exemplos:

Conisdere: "X" versos livres e "A", "B", "C" e "D" versos que rimam entre si.

Sextilha (7 sílabas. Posição das rimas: XAXAXA)

“Eu aqui tenho vontade
De fazer profundo estudo
Despertar a Charles Chaplim
Gênio do Cinema Mudo
Não dizia uma palavra
E o povo entendia tudo” (Daudeth Bandeira, repentista, cantado os gênios da humanidade)

Sempre tenha preferência
Por produtos mais duráveis
Sempre que possível evite
Os produtos descartáveis
Valorize e divulgue
As empresas responsáveis.

 (do livro “Aquecimento Global não dá rima com legal”  Ed. Moderna)

Uma sextilha com diálogos...

- Mas manhê, eu falo sério
Eu prometo, vou cuidar.
- Olha o ovo em que moramos
Não é pra um bicho ficar!
Eu trabalho o dia todo
E não tenho tempo, Oscar.
 (do livro "O Cachorro do menino" - Ed. Moderna)

Setilha- (7 sílabas. Posição das rimas: XAXABBA)
“Os seus filhos são heróis
Nesse solo abençoado
Onde Leandro fez verso
E nasceu Celso Furtado
Aqui eu fiquei hilário
Com a festa do Rosário
Que é a melhor do estado.”

 (Severino Feitosa, repentista, cantando as maravilhas da cidade de Pombal)

O leitor vira ouvinte
O escritor, menestrel
O ouvido vira voz
Neste eterno carrossel
Pois apresento agora
Com carinho e sem demora
Minhas Rimas de Cordel"

 (do livro "Minhas Rimas de Cordel"- Ed. Moderna)

E o que causa a emissão
Desses gases violentos?
As queimadas das florestas
Que só causam sofrimentos
As indústrias e os veículos
Somos mesmo tão ridículos
Poluindo nossos ventos.

(do livro “Aquecimento Global não dá rima com legal”  Ed. Moderna)

Oitava (7 sílabas. Posição das rimas: XAABXCCB)

Não nos resta a menor dúvida
De que estamos aquecidos
Pelos gases emitidos
De uma forma tão insana
Que aumenta o efeito estufa
E qual é o resultado?
O planeta é abafado
Por ações da mão humana.

 (do livro “Aquecimento Global não dá rima com legal”  Ed. Moderna)

Oitava (7 sílabas. Posição das rimas: AAABBCCB

Os aterros e lixões
Já não têm mais condições
Pois recebem caminhões
Com caçambas carregadas 
Sem somar as toneladas
Repetimos velhos erros
E lotamos os aterros
Esperanças enterradas.

 (do livro “Aquecimento Global não dá rima com legal”  Ed. Moderna)

Desafio em mourão (7 sílabas. A posição das rimas: XAXABBA)

Poeta A:
Vou pegar o cantador
Que sentou-se do meu lado

Poeta B:
Mas você não tem valor
Pra fazer improvisado

Poeta A:
Você não dá pra cantar
É melhor aposentar
E voltar para o roçado.

Décima com mote em sete sílabas (Posição das rimas: ABBAACCDDC)

mote: Vou mostrar para vocês
Como é o mote em sete

Já cantei o bom martelo
Já cantei muitas sextilhas
Já falei de maravilhas
De princesas e castelo
Fabriquei um bom duelo
Publiquei na internet
Minha rima não repete
Porque tenho rapidez
Vou mostrar para vocês
Como é o mote em sete

Outro exemplo, mote de uma linha:
Se o planeta é ameaçado
Pelo homem é agredido
Nosso ar é poluído
Respirar é complicado
Até água, o bem sagrado
Vai findar, não vamos ter
O que nós vamos beber
Sem ter água bem potável?
Sem ter lixo reciclável?
O futuro, o que vai ser?

(do livro "Vida Rima com Cordel" - Ed. Salesiana)
 Décima sem mote

Esse mito bem rimado
Vem lá do sul do país
Desse escravo infeliz
E o patrão muito malvado
Com seu filho lado a lado
Judiavam do negrinho
Mesmo sendo um rapazinho
Mais que adulto trabalhava
Por qualquer coisa apanhava
Mas chorava caladinho.

(do livro "Mitos Brasileiros em cordel" - Ed. Salesiana)

Martelo

O cordel é também literatura
Que nasceu no Nordeste brasileiro
Bem rimada e falada o tempo inteiro
O retrato perfeito da cultura
Sua capa é feita em xilogravura
Bem talhada num taco de madeira
O folheto dá a forma verdadeira
Às histórias que sempre são impressas 
Com cordel o poeta junta as peças 
Pra fazer coisa séria e brincadeira.

 (do livro "Mitos Brasileiros em cordel" - Ed. Salesiana)

Martelo alagoano (10 sílabas, 10 versos. Posição das rimas: ABBAACCDDC.

A toada eu acho tão bonita
Ritmada e também muito gostosa
De maneira perfeita e caprichosa
Quando canto o meu peito se agita
A minha alma que vibra e só palpita
Por que gosto do jeito soberano (sempre rima em "ano")
Sou poeta perfeito e veterano (sempre rima em "ano")
Que nasci pra fazer o improviso
Tirar verso da mente e do juízo
E lá vão dez de matelo alagoano. ( essa última linha, obrigatoriamente terminará em "alagoano", mas o texto pode ser "E tome dez de martelo alagoano")

Galope à beira mar

"Eu acho engraçado um poeta de praça
Que passa dois meses fazendo um quarteto
Com um ano de luta, é que finda um soneto
Depois que termina, ainda sem graça
Com tinta e papel, o esboço ele traça
Contando nos dedos pra metrificar
Que noites de sono ele perde a pensar
A fim de mostrar tão minguado produto
Pois desses, eu faço, dois, três, num minuto
Cantando galope na beira do mar."

Posição das rimas: ABBAACCDDC. Nesta modalidade o último verso deve terminar com a frase “Beira do mar” Ou “Beira mar” (autor: Dimas Batista. Interessante notar o pensamento do poeta improvisador, frente ao que escreve)


Oralidade de Cordel
 

            O cordel só toma vida quando dito! E que seja sempre bem dito! Falado, cantado ou interpretado, não importa! Diga um verso de cordel e comprove! É impossível ler um cordel em "voz baixa". Solte a voz, a emoção e o corpo! A literatura de cordel foi muito vendida em feiras do interior do nordeste. Claro que o poeta deveria utilizar de muita expressão e energia para fazer com que sua história ficasse muito interessante para convencer seu público a comprar seu folheto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

OFICINA DE CORDEL

Meus querido amanhã, sábado 29/10/2011 estarei fazendo uma oficina de cordel no ponto de cultura Círculos das Letras  da Associação Cultural Literatura no Brasil, na Rua Bandeirantes, 606 Jardim Revista, Suzano.

Oficineiro.

A ARTE E CULTURA DE FAZER CORDEL

Francis Gomes. Cearense. poeta escritor e cordelista. Autor do livro Ecos do Silêncio, e de 18 folhetos de cordel.
Premiado em vários concurso de poesias. obteve o 2º lugar no primeiro festival de literatura de cordel Pela CTN, aberto nacionalmente, em Setembro de 2011 com a obra,  PRIMEIRA VEZ.
participou de varias antologias,  CDs e vídeos literário. Atual presidente da Associação Cultural Literatura no Brasil.
Sem misericórdia

Ele não tem coração,
É frio como o gelo,
Impiedoso.
Sem misericórdia,
Implacável, duro
Cruel,  não volta atrás.
O tempo não nos concede
Uma segunda chance.

Francis Gomes